O que o provimento exige, o que já era obrigação e o que o sistema precisa registrar para você provar numa correição.
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Como escolher um software para registro de imóveis
Sete perguntas para fazer ao fornecedor antes de assinar — incluindo as que ninguém gosta de responder.
Resposta curta: escolha pela especialização na sua serventia, pelas integrações obrigatórias que o sistema já entrega em produção (ONR, selo digital do seu tribunal, CNIB, DOI), pela forma como o fornecedor migra o seu acervo e pelo que acontece quando você pede uma melhoria. Preço é o último critério, e o mais fácil de comparar errado.
1. Especialização na sua especialidade
Sistema genérico de gestão não cobre o fluxo do registro de imóveis. Prenotação com prazo em dias úteis, qualificação com nota devolutiva, apontamento numerado por tipo, Livro 3, indicador real e pessoal, selo por ato: nada disso existe em software de escritório adaptado. Pergunte quantas serventias da sua especialidade o fornecedor atende — não quantos clientes ele tem.
2. As integrações obrigatórias, funcionando hoje
Há um conjunto que não é diferencial, é obrigação: ONR (e-Protocolo, e-Certidão, e-Intimação, indicador, visualização de matrículas), selo digital do tribunal do seu estado, CNIB e DOI. Peça para ver cada uma funcionando numa serventia real, não em slide. A pergunta que separa: “o selo é conferido contra a natureza que a guia comprou, antes de transmitir?”
3. Conformidade com o Provimento CNJ 213/2026
O provimento revogou o 74/2018 e passou a exigir criptografia, autenticação em duas etapas, senha individual, trilha de auditoria, backup e plano de recuperação. Pergunte o que o sistema entrega disso e como você comprova numa correição. Resposta genérica (“estamos em conformidade”) não é documento.
4. Migração do acervo — e quem confere
É aqui que a troca de sistema dá errado. Pergunte: o que exatamente vem do sistema antigo (matrículas, apontamentos, protocolos, partes, selos, imagens digitalizadas)? Quem confere que veio certo? O balcão para quanto tempo? A resposta boa é a que mantém o sistema antigo em uso durante a conferência e só vira quando o acervo bate.
5. Onde o acervo fica
Servidor do cartório ou nuvem do fornecedor? As duas respostas podem ser boas; a ruim é não haver escolha. E pergunte o óbvio: o backup está incluído? Com que frequência? Você consegue baixar uma cópia do seu acervo quando quiser, sem pedir autorização?
6. O modelo de preço
Compare o valor total do ano, não a mensalidade. Some: licença por usuário (se houver), implantação, migração, treinamento, backup, atualizações e o que se paga por “módulo extra”. Um sistema mais barato na mensalidade e que cobra por escrevente costuma sair mais caro no cartório que cresce.
7. O que acontece quando você pede uma melhoria
É a pergunta mais reveladora e a que menos se faz. Peça um exemplo concreto: uma melhoria pedida por um cartório nos últimos seis meses, quanto tempo levou e quanto custou. Fornecedor grande responde com roadmap; o que você quer saber é se a sua serventia tem voz.
Um teste de dez minutos
Na demonstração, peça para ver o sistema funcionando, e não uma apresentação de slides. Depois peça três coisas: lavrar um ato com selo, emitir uma certidão de inteiro teor e mostrar o protocolo com o prazo da prenotação correndo. Se as três saírem sem que alguém precise “ajustar depois”, você já sabe mais do que qualquer apresentação diria.
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